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29 agosto 2003

Cenas da vida de um ministro - 1

A notícia diz:
A ministra das Finanças afirmou terça-feira, em Braga, que o congelamento de admissões na Administração Pública por si decretada foi "a medida mais estúpida" que tomou ou alguma vez irá tomar, mas garantiu que não tinha qualquer alternativa.

Ficou provado que a estratégia seguida por alguns ministros foi a da estupidez?! Massa cinzenta... procura-se!

22 agosto 2003

Que relação pode existir entre informar e silenciar?

Numa época em que os cinemas de bairro começaram a encerrar, poucos eventos culturais eram desenvolvidos no país.

Dois jovens interessados na dinamização cultural organizaram, com o apoio de cerca de vinte embaixadas e muitas mais organizações internacionais (auto-excluído: o Ministério da Cultura), uma exposição que incluía fotografias, textos e projecção ininterrupta de filmes documentais em 16 mm durante as duas semanas em que se realizava o evento.

O grande esforço de organização desenvolvido pelos dois jovens amadores só carecia de divulgação na comunicação social. A envergadura do projecto contrastava com as características minimalistas do local e do clube onde se realizava.

A generalidade dos jornais da época silenciaram totalmente o evento, que teve a presença de algumas centenas de visitantes assíduos, pelo espaço em que cabiam algumas dezenas.

Apenas um jornal noticiou o evento, em termos manifestamente escepcionais:
“Esta mostra, que temos acompanhado diariamente, é um sucesso no município. Na sessão de ontém, que contou com a presença do Presidente da Câmara e de milhares de visitantes...”.

O jornalista falou exactamente de uma sessão que não se realizou porque a sala havia sido necessária para uma reunião de um Partido Político.

Serviços comprados com brindes

Todos conhecemos as dificuldades, que os sites têm, de se tornarem rentabilizados financeiramente.

Um produtor de espectáculos foi contactado por um jovem empreendedor, criador de uma publicação portuguesa na Net.

O jovem propôs-lhe a colocação de publicidade em formato de banner, informou-o do preço e recebeu resposta positiva, pelo que a campanha começou de imediato. Simultaneamente e tal como outros operadores de espectáculos procediam, o produtor oferecia alguns ingressos, que a publicação distribuía pela audiência.

Tudo correu bem, até o jovem verificar que o produtor não lhe pagava a publicidade combinada. Um contacto, outro contacto, mais outros contactos... mas pagamentos, nada.

Nos espectáculos seguintes, o jovem foi contactado para continuar a publicitá-los, mas lembrou que esse trabalho se encontrava suspenso até à liquidação das facturas em atraso.

O produtor acedeu a conversar pessoalmente com o jovem e comprometeu-se a liquidar de imediato os valores em causa, pelo que o cheque chegaria dentro de poucos dias.

Uma conversa afável que desenhou na mente do jovem uma imagem do seu cliente de seriedade e sentido de responsabilidade.

Chegado à sede da publicação, o jovem verifica que um fax está a chegar. É do produtor de espectáculos... o tema é “Liquidação da nossa dívida” e começa por “No seguimento da nossa reunião e do acordo estabelecido entre ambos...”.
- Fantástico! O homem é mesmo de palavra! – pensou ele, enquanto lia a missiva.

Um parágrafo adiante, o produtor afirmava:
“A nossa dívida atinge, neste momento, o valor de 50.000 escudos (cerca de 250 euros), cada ingresso para o nosso espectáculo custa 5.000 escudos (cerca de 25 euros). Assim, entregar-lhes-emos 10 bilhetes que V. Exas. se encarregarão de oferecer à vossa audiência, ficando assim saldada a nossa dívida”.

O jovem terá aceite a proposta?

21 agosto 2003

Cenas da vida de um estudante - 1

O aluno não era brilhante em Filosofia. Aliás, a sua média na disciplina estava sempre entre os 8 e os 9 valores, pelo que ele já contava com o chumbo.

Surpreendeu-se, contudo, quando ao consultar a pauta afixada verificou que a sua nota final em Filosofia era 0 (zero).

Consultado o reitor do liceu, este não acreditava que tal pudesse ter acontecido e foi verificar a acta da reunião de professores. Mas o que lá estava não deixava margem para dúvida: era ZERO!

- Em 25 anos de ensino, é a primeira vez que vejo uma coisa destas... ZERO a Filosofia. Como conseguiste isso? - perguntou o reitor ao aluno, sem que o jovem lhe soubesse responder.

A pedido do reitor, o professor foi procurado pelas empregadas do liceu, mas já estava ausente, em férias.

Alguns dias mais tarde, em época de matrículas, o aluno encontrou o professor de Filosofia na entrada da escola e perguntou-lhe se não teria sido um monumental engano.

- Mas qual foi a admiração? A sua média era 9, mas ter ZERO ou NOVE era a mesma coisa, chumbava à mesma. Para o ano que vem, safa-se de certeza. - explicou-lhe o "Filósofo".
Cenas da vida de um internauta - 1

Na escola não se conseguia, simplesmente, usar a Internet.

A solução só podia estar no serviço de apoio telefónico ao utilizador.

Contacto estabelecido!!! Eis o diálogo:
- Daqui fala da escola XPTO. Temos um problema, a Net não funciona. Há algum problema do vosso lado?
- Não. Aqui temos informação de que está tudo bem. Já verificou se é um problema de rede?
- Já. A rede funciona bem.
- E os outros postos? Acedem à Net ou também não conseguem aceder?
- Nenhum posto da rede acede à Net.
- E a linha RDIS? Está a funcionar? É que nós daqui também não conseguimos lá aceder ao vosso router.
- A RDIS? Bem, a RDIS parece estar a funcionar.
- Corra o nosso programa de diagnóstico.
- Mas nós não o temos. Não, não o temos, nunca o tivémos, diz-me aqui um colega mais antigo.
- Então, aceda à nossa página e faça o download. Sabe fazer?
- Sei. Mas... temos outro problema.
- Qual? Diga então.
- Nós telefonámos para aí porque não temos acesso à Net e, segundo o que o senhor me está a dizer, a solução está no vosso site. Como é que fazemos isso?
- Pois, realmente é um pouco complicado. Mas só pode ser assim. Não temos outra solução.

No dia seguinte, o professor que havia contactado o serviço de apoio, levou para a escola o programa de diagnóstico, cujo download fez em casa. Mas já não foi necessário, porque a Internet já estava a funcionar perfeitamente. O problema era mesmo da Rede externa à escola.

Aritmética: o resto é amnésia ou ignorância

Um professor de informática do ensino secundário pode testemunhar algumas situações caricatas nas suas aulas. Contava-me ele, que em todos os anos lectivos verifica as lacunas de formação ou treino que os seus alunos manifestam no domínio das diversas ciências básicas... uma delas é a Aritmética.

Cada vez que a matéria exige conhecimentos sobre a operação da divisão, a crise é grande entre os alunos.

Para verificar se a lacuna era real, pedi ao professor que me permitisse assistir. Ele acedeu ao meu pedido e, em data combinada, presenciei uma cena que considero insólita e inolvidável.

A matéria requeria conhecimentos tão básicos como a divisão inteira por 2. A conversa abaixo é elucidativa:
- Stôr, eu não sei fazer contas de dividir sem calculadora. – confessa um aluno.
- Mas aqui, a calculadora não é a melhor ajuda... para além de que saber dividir é algo que vocês sabem desde o ensino básico. – disse-lhes o professor.
- Grande treta! Já não dou contas de dividir há bué d’anos, stôr! – diz outro estudante.
- Professor, explique aí no quadro como se faz isso, que a gente já não se lembra. – exige o aluno sentado no canto esquerdo da última fila.

Mas o professor decidiu testar os conhecimentos dos alunos e propôs-lhes que dividissem 3 por 2. Passado algum tempo, perguntou pelo resultado.

- O resultado é 1. – respondeu um aluno, ao mesmo tempo que punha o braço no ar.
- E qual é o resto? – perguntou o professor de imediato.
- A mim deu 0,5. – disse em tom decidido um dos alunos da fila da frente.
- Como é que chegaste a esse resultado? – inquiriu o professor, curioso.
- É fácil, stôr. Então, é o que aparece à direita da vírgula. – explicou o aluno, mostrando o resultado da calculadora.

18 agosto 2003

O ‘copito’

Em tempos que já lá vão, uma dama bem assenhorada era conhecida por se afirmar contra os hábitos que alguns conterrâneos tinham, de beber exageradamente nas festas da aldeia.

- Deviam era fazer como eu. Só bebo pelo meu copito. – exclamava ela bem alto para ser bem ouvida por todos os que rondavam por perto.

E os anos foram passando, as festas foram acontecendo... e sempre que a dama bem assenhorada ia à festa, levava o seu copito para não beber exageradamente. E em todas as festas, ela acabava bêbeda que nem um cacho... sempre.

Bem diz o povo que “tantas vezes o cântaro vai à fonte...”
A ciência do Dr. Fisgas

Ela escutava, atenta, às declarações de um Ministro da Segurança Social, que afirmava não ter dinheiro para pagar subsídios de desemprego.

“O aumento dos encargos com os subsídios de desemprego devem-se ao crescimento acentuado do número de desempregados, no último ano.” – dizia a jornalista na peça televisiva.

Ela percorreu com o olhar todos os restantes telespectadores presentes no café e comentou:

- O Ministro da Administração Interna é que devia resolver o problema da falta de dinheiro para os subsídios de desemprego.
- Como assim? – perguntou-lhe o empregado de balcão, enquanto os restantes se entreolhavam, interessados na conversa.
- Ainda outro dia, - respondeu a mulher com um sorriso trocista – o Fisgas dizia que não devíamos responsabilizar os que não previram ou resolveram mal os problemas dos fogos,... que devíamos era condenar os que os ateavam. Ora, assim, segundo a ciência do Dr. Fisgas, devemos procurar quem provocou o aumento do desemprego.
- Por acaso até são os mesmos! – rematou o empregado de balcão a rir-se.

No café, todos concordaram e, até à hora do fecho, trocaram-se relatos de empresas encerradas, de ameaças de patrões sem escrúpulos aos seus empregados, de pessoas desempregadas, de trabalhadores com ordenados em atraso e sem perspectivas de solução do problema, de famílias em risco de ruptura e de corrupção sem castigo em diversas instâncias de representação do poder.

11 agosto 2003

Cenas da vida de um doente – 1

"Odete Flores, gabinete 12" - Anuncia a aparelhagem sonora na Sala de Espera do Centro de Saúde.

Uma senhora de meia idade, bem arranjada, muito conversadora, levanta-se de imediato e dirige-se ao corredor em passo apressado, segurando a sua inseparável e bem preenchida mala de mão.

À porta do gabinete 12, confirma o nome do médico e bate à porta. Entra, assim que ouve a indicação do outro lado da porta.

O médico, careca, rondando os seus cinquenta anos de idade, está sentado na sua secretária e, sem levantar os olhos de um processo que está a actualizar, inicia a consulta:

Médico – Bom dia, sente-se. Então, de que se queixa?
Doente – Oh, senhor doutor, eu quando marquei a consulta, doíam-me os ossos, as costas, os braços. Mas agora, devo confessar que não me dói nada.
Médico – Quando é que a senhora marcou a consulta?
Doente – Há dois meses, mais coisa menos coisa.
Médico – E o que é que a senhora fez entretanto?
Doente – Lavei as paredes de casa e tratei da horta,...

O médico riu-se e comentou o ocorrido com outro colega que acabara de entrar no gabinete.

No fim de algumas auscultações e medições de tensão arterial, proferiu:
- Olhe! A senhora está de óptima saúde e já sabe que para a próxima que lhe doam os ossos, a solução é lavar paredes e cuidar da horta. Agora a senhora vai à farmácia e avia esta receita de uns comprimidos que ajudam a aliviar as dores.

A doente agradeceu, sorriu e abandonou o Centro de Saúde, mas nunca mais se lembrou de aviar a receita, depois dos elogios que ouviu à sua actividade doméstica.

Branca de Neve na Creche

A educadora, recém-formada, exercia a sua actividade pelo segundo ano consecutivo naquela instituição. Oriunda de Angola, alta, olhos verdes e pele morena e lisa, não necessitava de decotes para cativar atenções aos seus dotes físicos. Todos concordavam que irradiava saúde pulmonar, energia e simpatia por onde passasse.

Uma tarde, quando o pai do Franklin chegou à creche para buscar o filho, Marisa (a educadora) estava a meio da história da "Branca de Neve e os Sete Anões". O homem entrou na sala e, constatando que a história estava quase a terminar, sentou-se junto dos miúdos, escutando a narradora:
"... os anõezinhos contaram ao Príncipe que a Bruxa Má disse que o feitiço só seria quebrado se um Príncipe lhe desse um beijo. O Príncipe olhou para a Branca de Neve, que ainda estava a dormir o seu sono profundo..."

Marisa ia interpretando a cena, quando foi interrompida por um beijo que lhe sugava os lábios côr de cereja. Era o pai do Franklin que decidira participar na encenação.

A peça terminou aí. Não consta que Marisa se tenha apaixonado pelo "Príncipe de Ocasião", nem que o "actor convidado" tenha conseguido algum papel noutro espectáculo,... mas a miudagem adorou.

02 agosto 2003

O chefe e a doutora

A chegada da nova doutora nada alterou na rotina dos colaboradores do departamento, apenas na do chefe.
Ele chamava-a inúmeras vezes ao seu gabinete, ela saía sempre com o mesmo ar altivo e ele andava cada vez mais afogueado.
- O barbas anda a comê-la! Anda cá com uma fomeca! – dizia a secretária dele, nas suas costas, sem qualquer pudor.
A bolsa de apostas estava visivelmente activa. Na verdade, todos comentavam a imaginada relação extra do chefe, um pouco por toda a empresa, principalmente depois de ela ter passado a chefe de uma secção onde trabalhava só.
Ela também não desmentia, mas lá ia ridicularizando o “barbas” nas suas costas, enquanto todos subentendiam a sua manobra táctica.
Certo dia, o chefe dirigiu-se à sua secretária e decidiu:
- Marque-me duas passagens para Berlim e peça à Sede para nos reservarem os quartos! Vou eu e a doutora! Peça ao Departamento Financeiro os marcos para levarmos, explique à doutora que impressos é que ela deve assinar. E informe o Departamento de Pessoal que ela estará deslocada em serviço no estrangeiro durante os cinco dias da reunião na Sede.
- Disse “a doutora”, a nossa? – perguntou-lhe a secretária.
- Sim. Qual é a admiração?
- Oh chefe, nada, nada. Apenas confirmava se era ela, porque não é costume o pessoal menor ir à Sede com menos de um ano de empresa. Mas vai bem acompanhado. – disse-lhe a secretária, com ar trocista.
- Lá está você com as suas bocas! Faça lá o que lhe pedi e diga-me já de seguida as respostas, para eu marcar na agenda enquanto tenho o portátil ligado.
A viagem realizou-se e tudo continuou na mesma... ou quase. A mulher do chefe, passou a ir buscá-lo todas as tardes ao escritório e, quando ele lhe apresentou a doutora, ela incendiou:
- Ah! Sei bem! Muito prazer! Foi consigo que ele foi desta vez a Berlim. Gostou da paisagem? Espero que não tenha visto só os tectos.
- Como? – perguntou-lhe a doutora com ar perturbado.
- Vamos? Tenho de estar na reunião da Associação às oito e meia e temos pouco tempo para jantar. – interrompeu o chefe, ainda mais perturbado que a sua colaboradora.
Pegou no braço da esposa e saíram. A outra olhou para a recepcionista que não conseguiu conter o riso e refugiou-se na casa de banho mais próxima que encontrou, de onde saíu muito corada e com ar ainda mais altivo.
Na manhã seguinte, a doutora foi chamada ao chefe e todos ouviram uma enorme discussão no gabinete, mas ninguém se atreveu a adivinhar o motivo. Todos afirmaram não ter percebido pitada do que falavam.
A partir desse dia, a doutora evitava ir ao gabinete do chefe sempre que ele a chamava.
Ele passou a andar com ar ainda mais stressado, as rugas aumentaram e acalmava sempre que a mulher aparecia na recepção.
Ela cumpria as suas metas no departamento, mas transmitia aos elementos dos departamentos "adversários" todos os segredos profissionais do seu chefe, fragilizando a sua posição em quaisquer reuniões de Direcção onde ele tinha presença obrigatória.

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