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31 julho 2003

Uma rendida homenagem ao Petromax.



Alguns objectos marcam a nossa vida. O Petromax é um deles.

As "camisinhas" de que falávamos naquela época, eram as do Petromax.
E era ver toda a gente a dar à bomba, de quando em vez, para não deixar morrer
a "camisinha"

Quando já nem à bomba a "camisinha" ficava firme e hirta, era porque lhe faltava o petróleo.

Petromax: a quem se devem muitas horas de estudo sem o ruído da TV.
Petromax: a quem se devem muitas e longas conversas ao som do rádio de pilhas.
Petromax: a alternativa certa à EDP.



O homem da palavra de pedra.

O representante da autoridade é acordado durante a madrugada para registar uma ocorrência macabra: uma família de fazendeiros havia sido brutalmente assassinada a golpes de machado e catana.

Acontecimentos destes eram muito raros naquela colónia. O colonizador respeitava os hábitos e tradições dos indígenas e estes sentiam-se protegidos por quem lhes facultava alguma formação religiosa e protecção. Mas este crime perturbou a tranquilidade até então reinante.

Sem equipamentos adequados a uma investigação científica, o representante da autoridade apenas se limitou a escrever o seu relatório da ocorrência: "Aos ... dias do mês de ... do ano de ..., no posto de ..., concelho de ..., província de ..., regista-se a ocorrência de um crime, que passo a relatar...". E a imagem ia começando a ganhar forma num documento oficial, com mais ou menos erros ortográficos, numa letra tremida devido ao facto de ser o primeiro crime registado pelo agente da autoridade administrativa colonial.

As investigações não levaram a grandes conclusões, até porque nada havia sido roubado e ninguém conhecia quaisquer conflitos que pudessem indiciar a possibilidade de tal ocorrência macabra. Mas, volvida uma semana, uma denúncia levou à captura de um suspeito.

O homem sobre quem recaía a acusação era de estatura média, aparentava ter cerca de 30 anos e andava descalço.

Perante o facto de nos interrogatórios oficiais o suspeito ter negado todas as acusações, foi convocado o conselho tribal para ajudar no apuramento da verdade. Ficou, então, marcada reunião para certo dia, à volta do mastro da bandeira nacional, junto ao posto administrativo colonial.

No dia e hora aprazados, reuniram-se o conselho tribal, com a presença do suspeito e do representante colonial. O interrogatório foi violento, com o suspeito a manter-se de pé, firme, refutando todas as acusações de que era alvo. O clímax foi atingido quando o homem se baixou, apanhou uma pedra do chão e a levou à boca, engolindo-a de imediato. De seguida, virou-se para a bandeira nacional e voltou a jurar a sua inocência.

O conselho tribal interrompeu de imediato o julgamento e transmitiu as suas conclusões ao administrador colonial:
"Ele está inocente! Tem de ser libertado! Está inocente! Fez o juramento sagrado!"

O suspeito foi libertado e os culpados nunca foram encontrados. A comunidade regressou ao seu ambiente pacífico de sempre e nunca mais se ouviu falar deste homem que jurou a sua inocência engolindo uma pedra junto à bandeira nacional.
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